quarta-feira, 15 de julho de 2015

No campo ou na cidade, somos todas Margaridas







Quanto mais próximos os dias 11 e 12 de agosto, datas em que mulheres de todo o país se reunirão em Brasília para a 5ª Marcha das Margaridas, maior a responsabilidade perante um cenário político cada vez mais complexo e sujeito a retrocessos.

Nessa ­terça-feira (14), em uma plenária de mulheres preparatória para o encontro, na sede da CUT Brasília, as lideranças do encontro destacaram justamente o desafio de defender a liberdade, a igualdade e a autonomia em tempos de ataques a esses direitos.

Para exemplificar, a coordenadora-geral da Marcha, Alessandra Lunas, citou a rejeição à cota de 15% para mulheres na contrarreforma política que a Câmara dos Deputados promove, capitaneada por Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Apontou também o campo de batalha que se tornou a aprovação dos Planos Municipais de Educação, com ataques à qualquer menção de debate sobre gênero e sexualidade nas escolas, mesmo após longos processos que envolveram a participação de professores e da sociedade civil.

“A marcha acontece num momento extremamente desafiador, talvez o mais desafiador de todos. Em 2000, quando enfrentamos um governo neoliberal que sequer nos recebeu e nem nos deu qualquer resposta, já sabíamos que o momento era de afirmação. A partir de 2003, com a vitória do presidente Lula, passamos a avançar em políticas, o mesmo em 2007, e em 2011, colocamos 100 mil aqui em Brasília para discutir com a primeira mulher presidenta. Agora, olhamos ao redor e vemos a redução da maioridade penal, votações que são retomadas quando o presidente da Câmara não gosta do resultado. Até a ética nós perdemos”, lamenta.

Alessandra destaca que o dia 12 de agosto ganha ainda mais importância como marco do avanço da resposta das mulheres na luta por um modelo de desenvolvimento mais justo e igualitário. E também dos homens. “Precisamos que todos, inclusive os companheiros que também têm o sangue de luta de Margarida Alves, estejam presentes”, convocou.

Central de luta

Como parte da coordenação da marcha, a CUT conduz um processo de mobilização nos estados para levar ao menos 30 mil trabalhadoras à capital federal.

Secretária de Mulheres da Central, Rosane Silva, apontou que a mobilização é também um momento de formação política, em que o movimento fortalece a pauta feminista e  coloca em prática a pressão por políticas públicas voltadas à igualdade no campo e na cidade.

“Há muitos anos a CUT vem discutindo um modelo de desenvolvimento centrado no direito à vida humana, que tenha como centro o trabalho e a distribuição renda. Isso é algo que unifica a todas nós, sejamos nós urbanas ou rurais, em uma luta na qual caminhamos juntas”, definiu.

Quem são as Margaridas

A Marcha das Margaridas é uma homenagem à Margarida Maria Alves, presidenta do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, na Paraíba, assassinada por um pistoleiro no dia 12 de agosto de 1983.

Em sua memória e para fortalecer a luta, a cada três anos, caravanas de mulheres partem de todo o país rumo à capital federal.

Neste ano, as delegações chegarão ao estádio Mané Garrincha a partir de 11 de agosto e a abertura oficial do encontro está para prevista para as 18 horas do mesmo dia. Na manhã seguinte, a Marcha deixa o estádio e segue para o Congresso Nacional.

Desde 2003, primeiro ano da manifestação, mais de 140 mil mulheres já ocuparam Brasília para cobrar e conquistar políticas públicas voltadas a um modelo de desenvolvimento centrado na vida, no respeito à diversidade e contra a violência sexista.

A partir de 2007, o governo federal criou uma mesa de negociação permanente que seguiu ininterruptamente e é atualizada a cada marcha.

Com o tema “As Margaridas seguem em marcha por desenvolvimento sustentável, com democracia, justiça, autonomia, igualdade e liberdade” esta edição deve levar à capital federal mais de 100 mil mulheres. 


Assessoria/CUT

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