segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Em 4 anos, 41 mulheres foram assassinadas em Cuiabá

O ano de 2012 está sendo um dos mais violentos já registrados
Em 4 anos, 41 mulheres foram assassinadas em Cuiabá
Um levantamento do Núcleo das Promotorias de Justiça Especializadas no Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, do Ministério Público Estadual (MPE), aponta que, em um período de quatro anos, 41 mulheres foram assassinadas em Cuiabá. 
O Mapa da Violência de 2012 coloca Mato Grosso na nona posição entre os estados que mais assassinaram mulheres. O Brasil está na sétima colocação no ranking mundial.

  
Dados da Delegacia de Defesa da Mulher revelam que, de janeiro a junho de 2012, foram registrados 3.956 boletins de ocorrência, 1.748 inquéritos policiais foram instaurados, 1.869 inquéritos policiais foram concluídos, houve 476 flagrantes, 35 prisões preventivas cumpridas, 40 representações por prisões e 53 medidas cautelares. 
  
As análises dos números comprovam a triste realidade de que as mulheres ainda são as maiores vítimas da violência doméstica. A promotora Lindinalva Rodrigues Dalla Costa.
  
“No Brasil mata-se mulher por qualquer coisa. Mesmo com os avanços da Lei Maria da Penha as mulheres ainda são as maiores vítimas de violência – física ou psicológica”, disse a promotora, que é referência nacional no combate à violência doméstica. 
  
Análise dos dados 
O Mapa da Violência mostra que a maioria das mulheres são assassinadas por companheiros ou ex-companheiros que, inconformados com o fim da relação decidem matar a mulher. 
“Quando o homem não consegue mais dominar a mulher, quando ela decide terminar, ele a mata”, pontuou Lindinalva. 
  
A maioria das mulheres assassinadas tinham idades entre 20 a 29 anos. Em todas as faixas etárias, o local da residência da mulher é onde ocorre a maioria das mortes, concentrando 68,8% dos assassinatos. 
  
Esse dado revela que o âmbito doméstico gera a maior parte das situações de violência experimentadas pelas mulheres. 
No caso de assassinatos de homens, o índice de ocorrências na própria residência também é elevado, mas bem abaixo das mulheres - representam 46% dos atendimentos. 

Inimigo íntimo 
O Mapa também revela que, desde a infância as mulheres são agredidas por pessoas que fazem parte do seu ciclo de relacionamento.
  
Os pais são os principais responsáveis pelos incidentes violentos até os 14 anos de idade das vítimas. Nas idades iniciais, até os quatro anos, destacam-se atos violentos por parte da mãe. A partir dos dez anos, prepondera a figura paterna. 
  
Esse papel paterno vai sendo substituído progressivamente pelo cônjuge, namorado ou os respectivos ex, que lideram a partir dos 20 anos da mulher até os 59.
  
A partir dos 60 anos, são os filhos que assumem o lugar principal na violência contra a mulher.
Meio de agressão 
A força corporal ou o espancamento são os meios mais utilizados - correspondem a 56% dos casos. Em segundo lugar, vem a utilização de objeto cortante, como facas, facões, foices. 
Histórias de violência 
Em 2008, a comerciária Sueli Ramos da Silva, foi assassinada aos 20 anos de idade, juntamente com seu namorado José Arnaldo Dias Silva, de 38 anos. O crime foi em uma rua deserta entre o bairro Canjica e condomínio Terra Nova, em Cuiabá. 
  
O casal estava junto há pouco tempo e foi morto a tiros. O Ministério Público Estadual (MPE) acusou o ex-companheiro da jovem, o ex-policial militar Aécio Pereira dos Santos, que não havia aceitado a separação. Ele está solto, aguardando julgamento em liberdade. 
  
Também em 2008, a dona-de-casa Maria Vicente da Silva Oliveira, de 40 anos, foi assassinada com dois tiros, enquanto caminhava por uma rua do bairro Nova Esperança, em Cuiabá. 
  
O ex-marido dela, o segurança José Velson Oliveira, foi condenado a oito anos e seis meses de reclusão pelo crime. Ele cumpre pena em regime semi-aberto.
Fonte - Cenário/MT

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